Os dois saem caminhando pela avenida trocando informações do que ocorrera nesse estranho dia. Zé explica que os telefones ficaram mudos, sem ao menos ouvir o agudo ambivalente. Os celulares perderam seus sinais, não havia nem sinal de comunicação com o que não estava presente a sua frente. Enquanto descem a ladeira do Estádio reparam que o diálogo outrora expressado pelos motores e buzinas dos automóveis, dá espaço a vozes buscando uma compreensão dos fatos. Mas tudo o que encontram são apenas suposições. Olham para o gigantesco hospital supondo o caos que estaria ocorrendo em seu interior. Quantas pessoas não estariam morrendo por falta de energia nos aparelhos que as mantém respirando? Quantas obturações mal sucedidas não ocorreram quando as luzes se apagaram? Numa vaga suposição, acreditaram que os geradores do hospital foram acionados a tempo. Sentiram-se menos abalados, porém, a angústia cresceu dentro deles. Por quanto tempo o combustível do gerador agüentaria? Imaginaram o desespero de um motorista de ambulância para obter mais diesel com o intuito dos geradores continuarem respirando dentro do hospital; e a falta de comunicação que ocorrerá quando o desespero de um se encontrar com o desesperado frentista sem ter o que fazer. Será que conseguiriam re-estabelecer a energia a tempo para que vidas voltassem a sobreviver por aparelhos? Será que conseguiriam sobreviver sem a aparelhagem toda que protege sua insignificante vida? Concluem que a vida voltara a ser fragilmente natural.
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4 – NADA SE PARECE COMO ANTES
30 Mar
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