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		<title>BARULHO.ORG &#187; psicótico</title>
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		<title>10 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 23:43:24 +0000</pubDate>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">As luzes dos projetores apagaram-se e o céu clareou estampando as faces admiradas. Podiam enxergar todo o tipo de luminosidade existente na obscuridade que sempre os acompanhou. As constelações refletiam nos seres ainda abismados com as novas informações. Numa reação natural, João agarra-se a mão de Cristina apertando-a, querendo sentir a vibração que lhe tiraria a impressão de imaginário. Era real, o aperto foi retribuído. O planeta voltara a ser apenas um receptor de luzes, admirando uma infinidade de corpos brilhantes. Aos poucos as pessoas vão saindo do transe celeste e adentrando-se a uma espécie de êxtase individual que era comum a todos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-291"></span><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;                                                                                                                                            &lt;![endif]--> <!--[if gte mso 10]&gt;-->  <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“E agora?” “Precisamos nos re-agrupar.” “Precisamos produzir.” “Precisamos nos alimentar.” “Precisamos reformular.” “Precisamos mudar.” Mudar. Essa sempre foi uma barreira mal vista dentro dos antigos conceitos individuais. A mudança nunca era vista como algo benéfico, significava uma subversão da ordem, uma re-estruturação de algo, uma negação à imposição. Mas agora, mudar era a única alternativa para sobreviver. A mudança teria que vir a qualquer preço, teria que alterar o significado da palavra no dicionário, mudança, agora, seria essencial. A palavra mudança gerou uma euforia inusitada nas pessoas, significava que não necessitava mais correr contra a correnteza, que não precisavam gastar todas as energias para enquadrar suas crenças numa ordem outrora confusa. “Pois é&#8230; Eu fiquei pensando nisso&#8230; A gente tá sempre se transformando&#8230; E é sempre uma crise&#8230; A gente tem todo direito de entrar nos abismos, às vezes é bom&#8230; Necessário&#8230; Mas o que move mesmo, o que faz a crise valer a pena é quando você muda essa freqüência e percebe a beleza da transformação, a violência e a sutileza disso tudo e pra onde isso pode te levar&#8230; É muito louco, é outro olhar. Como é difícil a gente encontrar esse olhar às vezes&#8230;”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Subitamente se entreolharam livres disso tudo, não eram mais vistos como escravos, todos poderiam ser quem bem entender.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Nada se parece como antes, nem nunca se parecerá com nada. Bem vindos a 2012!” </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">PSICÓTICO</span></p>
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		<title>9 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 22:18:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um relógio foi pouco para tanta confusão dentro de onze cabeças. Logo foram as últimas economias, os últimos pertences, os últimos utensílios saqueados. Em meio &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Um relógio foi pouco para tanta confusão dentro de onze cabeças. Logo foram as últimas economias, os últimos pertences, os últimos utensílios saqueados. Em meio a isso tudo se juntaram a eles os irmãos Santos, Cardozo, os Castros e mais uma série de pessoas que iam se esbarrando em meio a Avenida. O banquete estava armado, beberam e comeram como se fosse a última coisa que fariam nesse mundo. A alegria imperava, a desgraça era motivo de risada, os problemas haviam-se apagados junto com a energia. Quando a avenida estava prestes a entrar numa penumbra total, acendendo as luzes do céu, não foram elas exatamente que se acenderam. Por um instante imaginavam que era o sistema que lhes viera assombrar com sua luminosidade, mas logo perceberam que era outra coisa que estava por vir.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span id="more-288"></span></span><!--[if gte mso 10]&gt;-->  <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Um facho de luz fora projetado nas paredes dos edifícios, e puderam observar mais alguns fachos acendidos ao alcance de suas vistas. As pessoas saíam para as ruas fascinadas pela energia exposta ao seu olhar, pela luz dos projetores rasgando a escuridão da cidade. A imagem do presidente vem à tona e os falantes fazem o estridente grito de quando ligados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Caros Cidadãos, este é o recurso de emergência do governo. Havia indícios remotos do que ocorreu há anos, mas não queríamos causar alarmes sobre uma possibilidade incerta. Porém, aconteceu, e aqui estão vocês admirando minha imagem. Os pólos magnéticos do mundo foram revertidos, todo o nosso conhecimento de física não existe mais nessa nova relação energética mundial. Tudo aquilo que construímos baseado em conceitos não tem a menor utilidade nesta nova ordem. Voltamos aos primórdios de nossa civilização. Nossas indústrias não podem mais produzir, nosso maquinário não podem mais ser utilizados, nossa virtualidade não pode mais ser acessada. Tudo aquilo que chamávamos de progresso, não tem mais como progredir. A nossa evolução voltou a ser simplesmente humana. Não estou aqui mais como vosso governante, pois o governo era regido através de uma rede interligada a um sistema que não possuí mais a fluidez anterior. Estou aqui como mais um habitante perplexo pelo que ocorreu com a nossa sociedade, mas principalmente para lhes instruir a livrar-nos desses concretos que cimentamos em nosso habitat. Temos que re-observar as novas necessidades impostas pelo planeta, para podermos junto a elas nos misturar e voltar a sermos habitantes dele e não mais seu manipulador. Não adianta nos auto-martirizarmos, em lutarmos uns contra os outros, em tentar nos auto-saquearmos, pois tudo isso só culminaria na extinção da raça humana. Devemos rever todo o nosso conceito criado dentro de um mundo em que a concorrência imperava e reformular todas as nossas questões de relacionamento humano. Se a luta do homem continuar a ser em função da soberania do homem sobre o homem, estaremos destinados a petrificarmos junto com nossas cidades de concreto. Agora, mais do que nunca, devemos deixar florescer nossos sentimentos humanos e esquecermos que um dia a crença material de sucesso regia nossas angustias. Se Deus existe, o nosso antigo modo de enxergar o mundo não era a sua criação.”</span></p>
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		<title>8 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 00:33:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O alaranjado do entardecer reflete nas onze pessoas que percorrem uma Avenida Paulista irreconhecível. O que antes era uma passagem de executivos bem vestidos, que &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">O alaranjado do entardecer reflete nas onze pessoas que percorrem uma Avenida Paulista irreconhecível. O que antes era uma passagem de executivos bem vestidos, que mantinham a sua pose de bem-sucedido, dá lugar a uma porção de pessoas desfiguradas, que mal se mantém de pé pelo tanto de entorpecente ingerido diante da nova ordem. As pessoas que vagavam com um destino certo, agora não sabem mais pra qual finalidade devem caminhar, não entendem como proceder nestas inusitadas situações. Muitas preferiram divagar sobre o acontecimento dentro do bar, gastando as últimas economias que possuíam na intenção de transformar um pesadelo em sonho lúcido. As estações de metro estão fechadas, os pontos de ônibus estão vazios, suas ruas estão num congestionamento sem previsão de fluidez. A antiga Avenida de passagem já não leva ninguém a lugar nenhum.<span> </span></span></p>
<p><span id="more-283"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Os onze caminham sem a perspectiva de chegar a algum lugar, desviando-se dos corpos abatidos e desorientados que buscam uma saída da avenida.<span> </span>“Que fazer agora?” “Juntamo-nos a essa condição?” “Procurar o que, não há nada pra procurar, não há o que produzir. Condicionamo-nos tanto a ser alguém dentro do sistema, que agora não temos mais o sistema como base, não sabemos mais quem somos realmente. O que fazíamos fora disso tudo? Nada. Não éramos nada além de projetos do sistema. Todas as nossas buscas foram por algo virtual, toda a nossa imagem que queríamos espelhar para o mundo, agora já não temos esse espelho para nos admirarmos. O que somos agora a não ser seres que trafegam sem um porquê?” “E desde quando tínhamos um porquê dentro disso tudo?” “Tínhamos metas e objetivos que agora não estão bem claro.” “Nosso objetivo principal é sobreviver.” “Mas qual é o custo de tudo isso, sobreviver apenas por isso? Apenas para manter nosso corpo respirando e se alimentando do oxigênio que não vemos? E o que alimenta a nossa cabeça difusa? Oxigênio e proteínas não amenizam minha autocrítica.” “E se alterarmos a realidade?” “Mas quando os efeitos dessa alterações passarem, a realidade permanecerá por aqui, e nós estaremos com o peso da ressaca para enfrentá-la.” “Ao menos iremos enxergá-la com outros olhos.” “E de que serve tudo isso.” “Apenas pra nos manter aqui. Num mundo onde as distrações não eram bem vistas, o que mais nos interessava era essa fuga momentânea. Agora que o mundo virou uma distração, vamos negar tudo isso? Vou trocar meu relógio por uma dúzia de cervejas.”</span></p>
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		<title>BARULHO.ORG JUNINO NO CECAP</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 00:40:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[NESTE SÁBADO DESDE 16HS, HÁ 20 MIN DO CENTRO DE SP, O BARULHO.ORG JUNTO COM O PESSOAL DO CECAP, FAZENDO A SEGUNDA EDIÇÃO DA FESTA &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NESTE SÁBADO DESDE 16HS, HÁ 20 MIN DO CENTRO DE SP, O BARULHO.ORG JUNTO COM O PESSOAL DO CECAP, FAZENDO A SEGUNDA EDIÇÃO DA FESTA JUNINA DU BARULHO LEVANDO SOM AO VIVO (MAURICIO TAKARA 3, EXTRA STOUT(SKA), ELECTROJAZZ, AT TENSION SOUND SYSTEM, INTERFERENCIA E + ), VJS (MIDIADUB, NINGUEM, CAIO F E +), ARTE, GRAFITE AO LADO DA PISTA DE SKATE DO CECAP &#8211; PRAÇA DOS MAMONAS ASSASSINAS (AV. odair santanelli s/n). COMPAREÇA, É GRATZ, É DIVERSÃO E INTERAÇÃO!!!<br />
VEJA O FLYER E O MAPA LOGO ABAIXO:</p>
<p>
<a href="http://farm4.static.flickr.com/3308/3655763244_602ffee826_b.jpg"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3308/3655763244_602ffee826.jpg" alt="COMPAREÇA!" /></a></p>
<p>
<iframe width="500" height="380" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.com.br/maps?f=d&amp;source=s_d&amp;saddr=Av.+Pacaembu+-+S%C3%A3o+Paulo+-+SP&amp;daddr=Guarulhos+-+S%C3%A3o+Paulo+(Pra%C3%A7a+Mamonas+Assassinas)&amp;geocode=FYXqmP4dkAA4_Q%3BFTIqmv4dFX86_SGvXHWL5QhYzg&amp;hl=pt-BR&amp;mra=pe&amp;mrcr=0&amp;sll=-23.502922,-46.550446&amp;sspn=0.161198,0.30899&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.501978,-46.552849&amp;spn=0.08304,0.17289&amp;output=embed"></iframe><br /><small><a href="http://maps.google.com.br/maps?f=d&amp;source=embed&amp;saddr=Av.+Pacaembu+-+S%C3%A3o+Paulo+-+SP&amp;daddr=Guarulhos+-+S%C3%A3o+Paulo+(Pra%C3%A7a+Mamonas+Assassinas)&amp;geocode=FYXqmP4dkAA4_Q%3BFTIqmv4dFX86_SGvXHWL5QhYzg&amp;hl=pt-BR&amp;mra=pe&amp;mrcr=0&amp;sll=-23.502922,-46.550446&amp;sspn=0.161198,0.30899&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.501978,-46.552849&amp;spn=0.08304,0.17289" style="color:#0000FF;text-align:left">Exibir mapa ampliado</a></small></p>
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		<title>7 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 21:33:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os cinco sobem o morro atravessando a avenida do saqueio. O que antes se chamava de confusão, agora era visto como uma nova ordem. As &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Os cinco sobem o morro atravessando a avenida do saqueio. O que antes se chamava de confusão, agora era visto como uma nova ordem. As lojas já não tentavam barrar os desesperados, estes já nem eram mais vistos como tais. Eram os cidadãos de uma nova cidade num dia extraordinário. Se alguém quisesse alguma coisa, era só atravessar a rua e pegar. Até os antigos gerentes tornaram-se cidadãos, não existiam mais donos ou superiores, todos estavam no mesmo patamar do caos. A cidade caótica não era mais assimilada, o Sol rachava pelas ruas num grande saldão de feriado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-270"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Acima do morro encontram um tumulto ainda maior de todos os outros já encontrados. Desta vez não era pelo dinheiro, nem por utensílios liberados ao dia. Parece uma manifestação do corpo de bombeiros em frente à estação de metro. As pessoas cercam o redor dessa manifestação, e eles seguem o fluxo natural dos curiosos. “Que estará acontecendo por aqui?”. “É algo fora do comum isso tudo”. “O dia inteiro esteve fora do comum”. “As pessoas estão em choque lá dentro”. Ao ouvirem esta última frase, os cinco se deparam com Ricardo a lhes avisar sobre esta nova situação. “Estava indo para o trabalho quando tudo começou. Começaram a chegar viaturas do corpo de bombeiros com seus últimos resquícios de gasolinas. Algumas pararam a algumas esquinas daqui. Foi o primeiro chamado do dia e o único que irão atender hoje. A energia faltou quando o primeiro trem estava fazendo seu primeiro percurso. Não vinha lotado, mas tinha uma quantidade de pessoas relevantes. O maquinista ainda conseguiu passar um radio ao corpo de bombeiros quando a situação aconteceu. As portas não se abrem, não há energia para movimentar o trem até a estação. Ele está parado a poucos metros dela. Os bombeiros estão tirando as pessoas pelos vidros quebrados, elas estão aterrorizadas, não conseguem entender o que aconteceu, como pode a energia de uma cidade inteira acabar? E se ela voltar bem no meio do resgate, quantas pessoas conseguirão se safar?”. “Ela não vai voltar”. As palavras de Araujo foram uma confirmação do que todos imaginavam, mas não tinham coragem de expressá-las. Como poderiam viver sem energia? Suas vidas por inteiro era composta por materiais elétricos. Suas memórias eram virtuais, seus relacionamentos eram virtuais. Como as pessoas iriam se relacionar se não tiver mais o auxílio da internet. Como poderiam se relacionar com estranhos em vossa frente, a causar arrepios. A agenda de afazeres, a conexão com o mundo, a lista de telefones, como poderiam agora, sem nenhum destes equipamentos, manterem a estrutura social que mantinham outrora? E aquele email que deixaram de responder, e aquele outro que enviaram ontem, será que o destinatário o leu a tempo? Quais medidas deverão tomar?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Neste momento, o Sol que estava parcialmente escondido na única nuvem do céu, reflete em suas faces libertando-os de todo questionamento. Percebem que agora estão livres das luzes dos monitores que os aprisionavam e podem simplesmente contemplar o dia de uma sexta feira qualquer, em pleno horário de expediente, mesmo que este já esteja chegando ao fim. Agora, os computadores não mais marcarão o horário que sairão do trabalho, o dia voltará a ser regido pelo ambiente natural. Livres, Ricardo, que estava acompanhado de Boniconte, Matuzzo, Henrique, Trevas, Panamby e os cinco caminham pela não mais agitada Avenida Paulista.</span></p>
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		<title>barulho.org no centro e fora da virada FILME</title>
		<link>http://www.barulho.org/agora/2009/05/30/barulhoorg-no-centro-e-fora-da-virada-filme/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 04:10:40 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="348"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=4880694&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=4880694&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="480" height="348"></embed></object></p>
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		<title>6 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 18:33:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">O sol a pino castiga a travessia pela ponte. João, sentindo-se ligeiramente tonto, encosta-se ao guarde-reio pra descansar. O cheiro de merda que emana do rio, vaga por entre seus pensamentos. “Deve estar no horário de almoço. Que absurdo! Melhor, deve estar no MEU horário de almoço. O horário do acordo social que eu nunca assinei não existe mais, posso ir e vir a hora que bem entender, me alimentar quando me der na gana, ingerir o liquido que desejar. Posso me embebedar das minhas escolhas, sem ter um horário que foi estipulado por ninguém. Eu estipulo meus horários, volto a ser meu próprio chefe&#8230;”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-230"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Vamos. Ficar nesse sol não vai melhorar. No final da ponte tem um boteco.” Sente a mão de Cristina puxando-o e volta a caminhar. Enquanto se re-hidratam e se alimentam por conta de uns trocados que José ainda possuía, percebem um alvoroço na avenida. Pessoas correndo desesperadas de um lado, outras voltando com pertences ao outro. Definitivamente algo acontece do outro lado do rio. Saem no meio da multidão e encontram as lojas totalmente escancaradas sendo saqueadas pelo povo. Por um momento hesitam diante de seus antigos valores, não foram feito pra saqueios. Novamente percebem que os valores mudaram e se embrenham na multidão para sacar seus novos pertences. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Quando João se prepara pra resgatar seu laptop de ultima geração, é surpreendido por Araujo. “Que está fazendo aqui dentro?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Resgatando o que sempre foi meu” </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Não. Tá errado. Aparelhos eletrônicos não têm mais valor agora. Vamos atrás de vestuário e utensílios que ainda valham alguma coisa.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">João segue Black no meio da multidão. Em meio ao saqueio, Araujo explica que a polícia não pode ser acionada, não tem comunicação, nem locomoção. Devem pegar tudo que conseguir levar e sair dali o mais rápido possível e se encontrar no final da avenida. Reúnem-se novamente, João, José, Cristina e Araujo, todos com novos pertences, que sempre os pertenceram, apesar de não saberem. Enquanto esperam que as sensações corporais voltem a funcionar, encontram Pedro com uma sacola cheia de cerveja gelada. “Essas foram as mais difíceis de conseguir, mas nesse momento é o que mais vale”. No cruzamento da Teodoro com a Cardeal, cinco latas se chocam provando o gosto de um novo pertencer. </span></p>
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		<title>5 &#8211;  NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 15:57:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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		<category><![CDATA[psicótico]]></category>

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		<description><![CDATA[Desprovidos de qualquer proteção artificial, continuam descendo a ladeira em direção a ponte, caminhando pela cidade incompreensivelmente fragilizada. No começo do vale percebem um alvoroço &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Desprovidos de qualquer proteção artificial, continuam descendo a ladeira em direção a ponte, caminhando pela cidade incompreensivelmente fragilizada. No começo do vale percebem um alvoroço numa das ruas adjacentes. Se fosse qualquer outro dia, teriam desviado o seu trajeto pra evitar quaisquer complicações e poder chegar a tempo de fazer qualquer outra coisa que teriam que fazer. Mas como não era um dia qualquer, resolveram seguir adiante. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-227"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">É tanta confusão na gritaria das pessoas que não entendem o que se passa. Percebem que as palavras vão de encontro a um banco de portas fechadas, com seguranças fazendo proteção aos funcionários sem sucesso em suas explicações. As expressões de pânico emblema o slogan do banco, a rede está fora do ar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Como eu não tenho dinheiro? Meu saldo está positivo, e preciso do meu dinheiro.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Vocês estão roubando nosso dinheiro, depositei tudo que eu tinha aí dentro pra guardarem?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Em meio à confusão encontra num canto Cristina. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Que acontece por aqui?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Eufórica, sem saber se é por encontrar rostos conhecidos ou por estar no meio daquilo tudo, Cristina conta sua história. “Saí de casa como todo mundo, sem entender nada. Resolvi ir comer alguma coisa na padaria que estava sem sistema. Só aceitavam dinheiro. Vim até o banco na esperança de conseguir alguma coisa, mas sem sucesso. A confusão já tava armada, o circo já estava em chamas. Eles não podem realizar saques, porque nenhum dos computadores funciona, não tem como saber quem tem e quem não tem dinheiro, por isso fecharam as portas. To sem um puto e o dinheiro que eu tenho ta aí dentro.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Vamo sair daqui. A gente ta começando uma caminhada. Ficar aqui na porta não vai adiantar nada.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Os três se distanciam da confusão para atravessar o rio. O sistema financeiro deixou de existir. Tudo que o computador um dia falou que você possuía, era mentira, porque naquela sexta feira, a energia que o alimentava não está mais presente. A virtualidade do sistema não tem mais a combustão necessária pra continuar existindo. </span></p>
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		<title>4 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 00:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os dois saem caminhando pela avenida trocando informações do que ocorrera nesse estranho dia. Zé explica que os telefones ficaram mudos, sem ao menos ouvir &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Os dois saem caminhando pela avenida trocando informações do que ocorrera nesse estranho dia. Zé explica que os telefones ficaram mudos, sem ao menos ouvir o agudo ambivalente. Os celulares perderam seus sinais, não havia nem sinal de comunicação com o que não estava presente a sua frente. Enquanto descem a ladeira do Estádio reparam que o diálogo outrora expressado pelos motores e buzinas dos automóveis, dá espaço a vozes buscando uma compreensão dos fatos. Mas tudo o que encontram são apenas suposições. Olham para o gigantesco hospital supondo o caos que estaria ocorrendo em seu interior. Quantas pessoas não estariam morrendo por falta de energia nos aparelhos que as mantém respirando? Quantas obturações mal sucedidas não ocorreram quando as luzes se apagaram? Numa vaga suposição, acreditaram que os geradores do hospital foram acionados a tempo. Sentiram-se menos abalados, porém, a angústia cresceu dentro deles. Por quanto tempo o combustível do gerador agüentaria? Imaginaram o desespero de um motorista de ambulância para obter mais diesel com o intuito dos geradores continuarem respirando dentro do hospital; e a falta de comunicação que ocorrerá quando o desespero de um se encontrar com o desesperado frentista sem ter o que fazer. Será que conseguiriam re-estabelecer a energia a tempo para que vidas voltassem a sobreviver por aparelhos? Será que conseguiriam sobreviver sem a aparelhagem toda que protege sua insignificante vida? Concluem que a vida voltara a ser fragilmente natural.</span></p>
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		<title>3 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 00:13:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por meia hora, ele espera o dia de amanhã sentado em sua cadeira. A escuridão silenciosa deixa-o pensativo sobre o que fazer de seu dia. &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Por meia hora, ele espera o dia de amanhã sentado em sua cadeira. A escuridão silenciosa deixa-o pensativo sobre o que fazer de seu dia. Lembra-se de um amigo que vive próximo de seu trabalho e decide ir visitá-lo. Caminha pela avenida que um dia pertenceu exclusivamente aos automóveis. Agora, ao menos uma faixa daquela via, estava repleta de pessoas sem informações. Tudo começou quando meia dúzia percebeu que suas casas só eram confortáveis enquanto possuíam eletricidade. Aos poucos, a casa sem energia foi se saturando, empurrando-os para o enfrentamento do mundo. Cada ser que saía em sua sacada, se deparava com as pessoas ali, do lado de fora, proseando sobre o que deveria ter acontecido. E assim, o espaço privado foi perdendo seu sentido, e o público foi sendo povoado, até que a calçada, que nunca fora feita para o público, se estendeu pra uma das vias automotivas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-211"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Enquanto caminha, percebe que a informação mudara de quesito. Descobriram que Joana, filha de Maria, que mora a duas quadras dali, resolvera passear pelo bairro e se encontrou com Roberto, filho de João, que sempre haviam sido vizinhos e nunca trocaram duas palavras. Agora, os dois caminhavam pelo bairro descobrindo os pontos em comum que perderam com o tempo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Perceberam que o velho Antônio era um sambista de primeira, compunha suas próprias músicas e nos tempos de criança, vivera no Rio de Janeiro, freqüentando as rodas de samba puxadas por Cartola. Inclusive, em sua melhor fase, compusera uma música em conjunto com o mesmo. Dona Antonieta, sua companheira, fazia uma feijoada todas as quartas e a velha guarda da comunidade vizinha se juntava pra arranhar um cavaco, espantar seus males e encher o bucho. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Enquanto caminhava, descobria mais umas dezenas de informações que sempre estiveram por ali e que nunca foram contadas. Assoviou para chamar seu amigo, pelo trânsito das histórias, nem percebeu que chegara a seu destino. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“E ae, Zé, que ta fazendo dentro de casa ainda?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Tava esperando alguém começar a carreata. Não consigo falar com ninguém.” </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Vamo ae, to começando uma agora. Bora?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Vamo de carro?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“Nem adianta. Os postos não estão funcionando e quando não são os carros empacando as vias, são as pessoas pela rua transitando.”</span></p>
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		<title>2 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 00:09:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recosta-se sob o guarde-reio tentando organizar seus pensamentos. Deveria chegar ao trabalho sob qualquer condição. Ao seu lado, a fila de trabalhadores aumenta procurando saber &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Recosta-se sob o guarde-reio tentando organizar seus pensamentos. Deveria chegar ao trabalho sob qualquer condição. Ao seu lado, a fila de trabalhadores aumenta procurando saber como proceder. Um ônibus passa lotado, nem se dá o trabalho de parar. Logo passa outro, e mais outro. O quarto para, sentido Zona Sul. Ele se aglomera junto a mais 30 pessoas frente à porta. No empurra-empurra, se enlata junto a elas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Dentro do ônibus a falta de informação persiste. Em alguns casos, a falta de banho é maior que a da informação. O cheiro azedo invadindo suas narinas e o zum-zum-zum sem nexo o faz movimentar. Dirige-se ao final do enlatado, faltam poucos minutos pra se ver livre daquele martírio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span id="more-206"></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">O alívio em descer deixa-o tranqüilo em relação a não-informação. “Deve ser passageiro”. Pensa tentando se reconfortar. “Quanto deve ter sido o jogo ontem? Será que lançaram mais bombas em Israel? Invadiram a Palestina? Assassinaram o Bush? A Bolsa despencou? Com certeza a Bolsa despencou.” Invade o escritório repleto de outras perguntas: “Como vou pagar o aluguel? Será que me cobrarão os juros? Minha conta está coberta? Fizeram o depósito de ontem? Liberaram o cheque?” Nenhuma resposta, nenhuma informação, apenas questões não resolvidas. Descobre que seu trabalho não tem sentido algum fora da virtualidade. Talvez amanhã, quem sabe amanhã.</span></p>
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		<title>1 &#8211; NADA SE PARECE COMO ANTES</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 21:05:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>barulho1</dc:creator>
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		<category><![CDATA[psicótico]]></category>

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Ainda sonolento, perambula pelos corredores sombrios de seu apartamento. Oprimido pela parede; abre o chuveiro esperando a água cair por seus cabelos. Um &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;                                                                                                                                            &lt;![endif]--></p>
<p><!--[if gte mso 10]&gt;-->  <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Ainda sonolento, perambula pelos corredores sombrios de seu apartamento. Oprimido pela parede; abre o chuveiro esperando a água cair por seus cabelos. Um tremelique invade sua espinha subindo até o seu pulmão: está fria. Tinha certeza de que havia ligado a torneira quente. Talvez sua sonolência lhe houvesse pregado uma peça. Não estava mais sonolento, e estava certo de que abrira a válvula correta. Caminha até o interruptor para se certificar, mas não corresponde às suas expectativas. Devem ter cortado a luz. Ainda não faziam três meses de atraso na conta, como poderiam ter cortado assim? Devem estar fazendo alguma obra nas fiações externas, porém, tampouco fora informado a respeito. Injuriado, procura o mundo do lado de fora. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span id="more-204"></span></span><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;                                                                                                                                            &lt;![endif]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">Entra no carro sem saber se está desgostoso por não ter energia em casa, ou se tem que inevitavelmente ir ao trabalho. A junção faz com que o desgosto se transforme em nervoso, percebendo que seu automóvel está com pouco combustível. Contendo-se, estaciona próxima a bomba do posto de gasolina à espera de um frentista. Um ser desesperado aproxima-se de sua janela a explicar-se: “- Me desculpe Senhor, mas estamos sem energia. Nossas bombas são automáticas e não estão funcionando.” Seu apoio de contenção já não possui a mesma força. E se enfraquece a cada posto em que a história vai se repetindo. Quando sua locomoção perde todo o combustível, deixando-o parado no meio da avenida, uma combustão eclode por dentro exprimindo uma única pergunta:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">“- QUE MERDA É ESTA?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;">A explosão faz com que perceba que não é o único que está tendo um mau dia. Parece que o mundo inteiro está numa ressaca terrível. O número de carros que empacam na avenida aumenta gradativamente. De cada carcaça de metal, desembarca um ser completamente alterado, procurando entender se a sua raiva é melhor que a perplexidade do outro. Aos poucos as bolhas individuais vão se desfazendo, e a troca de informação vai acontecendo. O ponto em comum a todos é que ninguém sabe de nada. O jornal não havia sido entregue esta manhã, não houve transmissão televisiva, a internet não foi acessada e o celular não foi acionado. Não havia comunicação com o mundo exterior, nem com familiares, chefes ou amantes. Ninguém sabia onde qualquer pessoa poderia estar, nem o que estava acontecendo. A única coisa que sabiam era que naquela manhã de sexta-feira, dia 13 de abril de 2012, nada se parecia com o que tinham vivido.</span></p>
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